ImprensaBR entrevista a documentarista Bindu Mathur, que terá seu curta ‘The Nuclear Boy Scout’ exibido na 4ª edição do Urânio em Movi(e)mento

Inédito em festivais de cinema e também no Brasil, o filme terá duas exibições no International Uranium Film Festival 2014 in Rio

O documentário inglês ‘The Nuclear Boy Scout’ (O Escoteiro Nuclear), de Bindu Mathur, (2003, 24 min, legenda em português, classificação indicativa 10 anos) está entre os destaques da 4ª edição doUrânio em Movi(e)mento. O filme se passa nos EUA e conta a estória real do adolescente David Hahn, que construiu um reator nuclear no quintal de casa. Ainda inédito no Brasil, o filme terá duas exibições no festival.

Bindu Mathur
Bindu Mathur

A ImprensaBR, assessoria de comunicação do festival entrevistou a diretora do filme, que mora no Rio de Janeiro, sobre a produção e a participação do curta-metragem no maior festival sobre radiação e energia nuclear do mundo. Bindu Mathur participará de um debate com o público do festival em dois dias: 15 e 23 de maio, 15h e 19h respectivamente. Leia mais.

ImprensaBR: De onde surgiu a ideia de realizar esse filme? Contextualize o momento em que ele foi feito (2003). O que estava acontecendo no mundo com relação às políticas nucleares mundiais e como a Inglaterra se posicionava nesse contexto.

Bindu Mathur: Encontrei a história de David Hahn em um artigo de revista no final de 1990 e imediatamente fiquei fascinado com suas experiências e métodos. Fui ao encontro dele e de sua família e tentei por anos ‘vender’ a ideia para a televisão britânica. Todo mundo estava interessado, mas viu a proposta como uma curiosidade individual que não tinha relevância para a sociedade em geral.

Depois dos ataques terroristas de 2001 nos Estados Unidos, a história de David e seu acesso fácil a materiais radioativos o tema tornou-se relevante e de interesse geral. O pensamento era: e se os terroristas construírem uma “bomba suja”? O que se pudessem ter acesso aos mesmos materiais que David teve usando seu guia de escoteiro? A história tomou um novo significado. Foi assim que ganhei a comissão  do Channel 4 no Reino Unido, em 2003.

O adolescente David Hahn construiu um reator nuclear no quintal de casa.
O adolescente David Hahn construiu um reator nuclear no quintal de casa.

ImprensaBR:  Você conheceu o menino que fez o reator? Quem era ele? Ele é vivo hoje? O que faz profissionalmente?

Bindu Mathur: Eu conheci David uma vez antes da produção e depois passei 10 dias filmando com ele. Fiquei impressionada com sua inteligência, sua criatividade e a intensidade de seus esforços. Havia algo emocionante quando ia com ele para o mercado local encontrar elementos radioativos, por exemplo. Mas ele era descuidado quanto aos perigos e, ao longo dos 10 dias de gravação, minha emoção, por vezes, se transformou em preocupação.

Ele também falou muito sobre outros experimentos em biologia. Eu não tinha ideia do que ele estava falando e simpatizei com seus amigos e familiares, que não entendiam ou estavam cientes de seus experimentos nucleares na época.

Depois eu soube que ele tinha sido diagnosticado como esquizofrênico, e, infelizmente, a sua grande inteligência e paixão pela ciência nunca foi cultivada em um ambiente universitário ou profissional.

ImprensaBR: Você é cineasta? Qual sua formação acadêmica? 

Bindu Mathur: Sou Canadense, com origem indiana. Estudei Cinema/Mídia na Concordia University, em Montreal. Trabalhei 10 anos como produtora/ diretora de documentários para televisão britânica BBC, Channel 4, para o Discovery, entre outros. Trabalhei por muitos anos fazendo programas de ciência da BBC Science e também sobre a história da ciência e fui contratada pela BAFTA – British Academy of Film and Television Arts(BAFTA) para realizar de uma série sobre os cientistas no início de 2001.

Na verdade, uma das coisas que me interessava sobre a história de David Hahn era que ele me fez lembrar dos pioneiros da ciência, que trabalhavam sem equipamentos de segurança. Sir Humphry Davy explodiu produtos químicos e queimou o rosto, por exemplo. Mas eu acho que a diferença é que David sabia os perigos do que estava correndo, mas optou por ignorá-los.

Além disso, o fato de eu estar fazendo um documentário educativo e científico levou-me à ideia de mostrar os detalhes das experiências de David com o recurso da sátira. O importante era mostrar da forma mais simples possível o que ele estava fazendo e a sátira é um bom recurso para isso. Era fundamental mostrar de forma simples para que fosse compreensível e verossímil, afinal trata-se de uma estória muito difícil de acreditar!

ImprensaBR: O filme já esteve em outros festivais? Quais?

Bindu Mathur: Não, está será sua primeira exibição em um festival de cinema e também no Brasil.

ImprensaBR: Já ganhou alguma premiação?

Bindu Mathur: Sim. Shortlisted for Directors Guild Award UK, and received positive reviews in The Times, The Telegraph, The Guardian and The Independent, The Daily Mail and Time Out.

Também descobri que o cineasta Duncan Jones (filho de David Bowie) foi influenciado por meu documentário quando fez o filme de ação e aventura de Hollywood ‘Source Code’, para criar o personagem de um terrorista home-grown.

ImprensaBR: É um filme com classificação indicativa de 10 anos, o que me leva a crer que é um filme que as crianças podem entender. Você dialoga diretamente com crianças e jovens no filme?

Bindu Mathur: Sim e o filme tem legendas para que as crianças consigam entender o filme.

ImprensaBR: Qual a grande mensagem que o filme quer transmitir?

Bindu Mathur: Não há uma mensagem no filme. É uma história incrível que eu tentei dizer de uma forma que o público tem de fazer a sua própria opinião.

Eu não estou dizendo que David estava certo ou errado; acho que o filme reflete isso. O mundo nunca é preto e branco.

ImprensaBR:O filme foi uma produção independente ou teve patrocínio para ser gravado?

Bindu Mathur: Foi patrocinado pelo Channel 4 do Reino Unido.

ImprensaBR: O que a trouxe ao Brasil? 

Bindu Mathur: Esta é uma estória engraçada. Eu me mudei para o Rio há oito anos. Moro em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Lembro-me de ter visto o cartaz para o Uranium Film Festival pensando que era uma ideia incomum para um festival e que deveria enviar-lhes o meu filme. Após muitos anos, finalmente procurei os diretores do festival e descobri que Marcia e Norbert são meus vizinhos. Mundo pequeno!

ImprensaBR: E por que está aqui até hoje? O que faz aqui em termos profissionais?

Bindu Mathur: Moro no Rio de Janeiro fazendo um projeto chamado ‘101 Curtas Sobre Rio’ (101 Short Films About Rio) www.101shortfilmsrio.com.

ImprensaBR:Você estará na sessão de seu filme durante o festival deste ano? Participará de algum debate após a sessão? 

Bindu Mathur: Sim, estarei em duas ocasiões: dia 15 de maio, às 15h, e dia 23 de maio, às 19h.

ImprensaBR: O que tem para dizer a respeito da era nuclear e como o cinema e a linguagem audiovisual podem ajudar a ensinar e a esclarecer as novas gerações sobre esta era?

Bindu Mathur: A estória de David Hahn reflete a Idade de Ouro da Ciência Nuclear – anos 1950 e 60. Era uma época em que não havia muito otimismo para essa tecnologia, para a energia. Os livros e informações que recebi foram a partir desta época, assim como os relógios de rádio e outras fontes radioativas.

ImprensaBR:Gostaria de comentar ou destacar alguma coisa que eu não perguntei?

Bindu Mathur: Apenas uma estória para compartilhar a respeito das filmagens. Houve um momento em que eu estava filmando e fiquei muito assustada com o David. Ele tinha uma coleção de relógios de rádio, e um especialista com quem falei disse que não seria bom dormir perto de um desses relógios. Então, David me mostrou sua coleção de talvez uns 15 relógios, sobre uma mesa frágil em seu porão, sem janelas. Eu estava realmente com medo de que a mesa pudesse quebrar e espalhar partículas e pedaços radioativos dos relógios para todos os lugares! Então, ele me deu um dos relógios – que valem muito dinheiro -, mas deixei o mesmo no escritório e nunca trouxe para casa.

 

Serviço

O que: Entrevista a documentarista Bindu Mathur, que terá seu curta ‘The Nuclear Boy Scout’ exibido na 4ª edição do Urânio em Movi(e)mento.

Onde: Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM), Rio de Janeiro.

Quando: de 14 a 25 de maio de 2014.

Site do festival: www.uraniumfilmfestival.org

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Mais informações à imprensa

Leonor Pelliccione Bianchi

ImprensaBR Assessoria de Comunicação

Imprensabr@gmail.com

55 22 99253-3903/ 55 22 99903-8733

Baixe a entrevista.

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